A importância do diálogo entre indústria, produtores e sociedade

Por Eliane Hiratsuka Kay, diretora-executiva do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg)

A agricultura brasileira alcançou, nas últimas décadas, um nível de desenvolvimento que a posiciona entre as mais relevantes do mundo. Esse avanço é resultado de um esforço contínuo de vários atores, envolvendo pesquisa, inovação, adoção de tecnologias e, sobretudo, a capacidade do produtor rural de aproveitar as oportunidades mesmo em um ambiente complexo e desafiador.

O Brasil passou, em poucas décadas, de importador de alimentos para um dos mais importantes players no cenário internacional. Segundo dados da Kynetec Brasil, a produção brasileira de grãos cresceu, em média, 5,3% ao ano nas últimas décadas, e o país saiu de uma produção de 58 milhões de toneladas, na safra 1990/91, para 356 milhões de toneladas estimadas para 2025/26, evidenciando os ganhos de produtividade e eficiência no campo. Ainda assim, grande parte da sociedade não conhece ou não tem interesse em saber mais sobre como os alimentos são produzidos e quais fatores influenciam nesse processo.

Isso evidencia uma lacuna importante: a distância entre a realidade do campo e a percepção do consumidor, que é um agente ativo apenas no final da cadeia produtiva. É nesse contexto que o diálogo entre indústria, produtores e sociedade deixa de ser apenas desejável e passa a ser indispensável.

No campo, a produção agrícola é marcada por variáveis que exigem decisões técnicas constantes. Intempéries climáticas, pragas, doenças e condições de solo impõem desafios diários que impactam diretamente o desempenho das lavouras numa agricultura tropical. Nesse cenário, o acesso à informação qualificada e o uso adequado das tecnologias disponíveis são determinantes para manter a produtividade e a continuidade do ciclo produtivo. A relação entre a agroindústria e os produtores rurais, portanto, não se limita à oferta de soluções, mas se estabelece como uma troca contínua de conhecimento, orientada pela busca por eficiência e responsabilidade.

A sociedade vem acompanhando esse debate de forma cada vez mais próxima, ainda que nem sempre com acesso ao contexto completo. Muitas das discussões que ganham visibilidade na mídia acabam sendo conduzidas por recortes parciais, o que pode levar a interpretações simplificadas sobre um sistema que, por natureza, é complexo. Isso reforça a importância de ampliar os espaços de diálogo, com base em informação consistente e linguagem acessível, sem renunciar à profundidade técnica.

Nesse processo, a indústria de produtos para defesa vegetal, ou defensivos agrícolas, desempenha um papel relevante ao atuar como elo entre a ciência, o campo e a sociedade. Mais do que desenvolver tecnologias, cabe ao setor contribuir para a qualificação do debate, promovendo transparência e disseminando conhecimentos que permitam uma compreensão mais ampla sobre a produção agrícola. Essa atuação se fortalece quando há escuta ativa, disposição para o diálogo e compromisso com a construção de soluções conjuntas.

O produtor rural, por sua vez, traz a perspectiva de quem vivência, na prática, os desafios da atividade. Sua experiência é fundamental para que decisões técnicas estejam alinhadas à realidade do campo, considerando fatores como clima, pressão de pragas, manejo e produtividade. Além disso, a vivência no dia a dia das lavouras contribui para ampliar o debate com experiências concretas sobre os desafios e necessidades da produção agrícola.

A sociedade, ao se engajar nesse tema, também exerce um papel importante ao trazer questionamentos e expectativas que impulsionam o setor a evoluir. Esse movimento, quando apoiado em informações de qualidade, contribui para a construção de um ambiente mais equilibrado, em que diferentes visões podem coexistir de forma construtiva.

Fortalecer o diálogo entre esses três pilares – indústria, produtor rural e sociedade – não é uma tarefa pontual, mas um exercício contínuo que exige consistência, clareza e responsabilidade. Trata-se de reconhecer que a produção agrícola envolve múltiplos fatores e que sua compreensão depende da conexão entre diferentes perspectivas.

À medida que esse diálogo se amplia e se qualifica, o setor como um todo se fortalece. E é nesse caminho de aproximação, troca e construção conjunta que se encontram as bases para uma agricultura cada vez mais alinhada às demandas do presente e preparada para os desafios do futuro.

Se você quiser saber mais sobre os defensivos agrícolas, o Sindiveg mantém uma plataforma de treinamentos on-line e várias outras informações que podem ajudá-lo a compreender melhor a nossa rotina: proteger cultivos para garantir a segurança alimentar.