Indústria de defensivos agrícolas enfrenta alta nos preços de matérias-primas, embalagens e transporte internacional 1024 420 Sindiveg

Indústria de defensivos agrícolas enfrenta alta nos preços de matérias-primas, embalagens e transporte internacional

por Eliane Kay*

A cadeia de produção de alimentos começou o ano com graves preocupações. O contexto econômico mundial, bastante impactado pela Covid-19, segue uma tendência de alta nos preços de matérias-primas e embalagens, além de aumento no custo logístico – tanto nacional quanto internacional. Esses obstáculos têm potencial para prejudicar a população do Brasil. A escassez de ativos básicos para a indústria de defensivos é apenas um dos problemas enfrentados.

“A valorização da moeda chinesa em relação ao dólar, impulsionada pela perspectiva de crescimento desse país, que deve atingir seu maior pico em dois anos, e o aumento generalizado do custo das matérias-primas e embalagens – como papelão e resinas – têm pressionado a indústria nacional a reajustar seus preços para a próxima safra”, alerta o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), Julio Borges.

Esse cenário é agravado pela depreciação do real em relação à moeda norte-americana, já registrado ao longo do ano passado. A perda cambial para o setor de insumos agrícolas, representado pelo Sindiveg, foi de 18,5% entre janeiro e dezembro de 2020. “Devido à consistente variação no preço do dólar, as empresas do setor não conseguiram fazer o repasse integral do aumento dos custos no ano passado, algo que vai acontecer em 2021”, diz Borges.

Em relação à logística, o frete marítimo dobrou nos últimos três meses e continua com tendência de alta no curto prazo, principalmente em razão da insuficiência de contêineres e navios no mercado global, problema que pode atingir seu ápice ainda neste primeiro semestre, segundo relatório da chinesa Bai Chuan Info (BAIINFO). Esse cenário logístico foi agravado pelo baixo crescimento da frota global de contêineres. Em 2020, o número subiu 2,9%, o menor patamar desde 2016, abaixo do necessário para atender à demanda exigida pelo mercado internacional.

“O setor de produtos para sanidade vegetal enfrentou um 2020 muito difícil com pandemia, variação cambial e falta de matérias-primas. Além disso, este início de ano foi também impactado pelo aumento de impostos nas operações interestaduais a partir do Estado de São Paulo. Nesse cenário, os defensivos agrícolas já sofreram e sofrerão novos reajustes para absorver os aumentos de custos, bem como o impacto de uma alta do dólar acima do projetado. Esperamos que a situação se normalize em breve”, finaliza o presidente do Sindiveg.

 

*Eliane Kay é farmacêutica-bioquímica e Diretora Executiva do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).