DEFENSIVOS AGRÍCOLAS

Na agricultura, os defensivos agrícolas – também conhecidos como agroquímicos, agrotóxicos, pesticidas, praguicidas ou produtos fitossanitários – são substâncias químicas ou biológicas que estão entre as tecnologias usadas nas lavouras. Eles existem para proteger os cultivos do ataque e da proliferação de fungos, bactérias, ácaros, vírus, plantas daninhas, nematoides e insetos considerados pragas ou causadoras de doenças, garantindo alimento saudável à mesa da população.

Na agricultura, os defensivos agrícolas – também conhecidos como agroquímicos, agrotóxicos, pesticidas, praguicidas ou produtos fitossanitários – são substâncias químicas ou biológicas que estão entre as tecnologias usadas nas lavouras. Eles existem para proteger os cultivos do ataque e da proliferação de fungos, bactérias, ácaros, vírus, plantas daninhas, nematoides e insetos considerados pragas ou causadoras de doenças, garantindo alimento saudável à mesa da população.

O que são pragas

Pragas são organismos nocivos que atacam e podem transmitir doenças às plantas. Elas diminuem a capacidade da cultura produzir e reduzem também a qualidade dos produtos agrícolas, em alguns casos tornando os impróprios para o consumo. Os tipos de pragas podem ser fungos, bactérias, ácaros, vírus, plantas daninhas, nematoides e insetos considerados pragas ou causadores de doenças.

Principais pragas de algumas culturas

Ferrugem Asiática

Doença causada por fungo que ataca as folhas da planta. Nas plantas atingidas, se formam pequenos pontos de coloração escura em sua face superior da folha e, na parte inferior, podem se formar pequenas protuberâncias. A doença é disseminada pelo vento e, ao encontrar condições favoráveis para o seu desenvolvimento – umidade nas folhas e temperaturas amenas – se instala na lavoura. A ferrugem causa desfolhamento precoce, o que impede a formação completa dos grãos e reduz a produtividade.

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Ferrugem Asiática

Percevejo marrom da soja

Inseto de cor marrom que se alimenta do suco de ramos, hastes e vagens da planta. Seu ataque pode causar a má formação dos grãos, tornando-os “chochos”, e diminuir a produtividade. Além disso, a infestação pode gerar a retenção foliar, o que dificulta a colheita, pois as folhas não caem quando deveriam.

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Percevejo marrom da soja

Lagarta da soja

Quando pequenas, as lagartas dessa espécie podem ser identificadas por sua coloração verde e, quando maiores, são esverdeadas ou amarronzadas e possuem três linhas brancas longas nas costas. Geralmente essa praga se alimenta das folhas do terço superior da soja. Se não controlada, pode causar 100% de desfolha nas plantas atacadas.

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Lagartas

Lagarta-falsa-medideira

Quando nascem, têm coloração verde clara e possuem listras brancas longas e pontos pretos nas costas. Quando adultas, se tornam mariposas com asas de coloração marrom e com duas manchas prateadas no primeiro par de asas. Geralmente, as lagartas falsas-medideiras podem ser localizadas no terço final da soja. Se alimentam das folhas sem atingir as nervuras. Quando pequenas, raspam as folhas causando manchas claras. Conforme crescem, o ataque se intensifica e podem destruir completamente as folhas e danificar até as hastes mais finas da planta.

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Lagarta-falsa-medideira

Capim amargoso

Quando pequenas, as lagartas dessa espécie podem ser identificadas por sua coloração verde e, quando maiores, são esverdeadas ou amarronzadas e possuem três linhas brancas longas nas costas. Geralmente essa praga se alimenta das folhas do terço superior da soja. Se não controlada, pode causar 100% de desfolha nas plantas atacadas.

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Capim amargoso

Lagarta-do-cartucho

Essa lagarta pode ser identificada por sua coloração verde, com pontos pretos em pares ao longo das costas e cabeça quase preta. Logo após nascimento, se alimentam das folhas da planta. Após alguns dias, migram para o interior do cartucho, onde é possível observar seus dejetos. As lagartas destroem o cartucho, danificam a espiga e podem perfuram a base da planta e atingir seu ponto de crescimento. Se não forem controladas, causam danos expressivos à produtividade da lavoura, que se acentuam no período de seca.

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Lagarta-do-cartucho

Ferrugem Polisora

Doença, causada por um fungo, que pode ser identificada por manchas e pontos de coloração amarela, dourada ou marrom. Geralmente fica na parte superior das folhas ou nas partes onde as folhas se prendem ao caule, mas pode ocorrer em todas as partes verdes da planta. Clima quente e com alta umidade do ar são fatores favoráveis ao seu aparecimento. Essa doença, quando não controlada, causa redução da área foliar, acamamento de plantas e diminuição do peso dos grãos, o que afeta a produtividade.

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Ferrugem

Soja voluntária

Ao ressemear uma área de rotação de cultura, a soja se tornar uma invasora, ou seja, uma planta daninha. Além da competição com a cultura por água e nutrientes, a soja nessa condição pode ser uma multiplicadora de doenças.

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Soja voluntária

Lagarta-da-espiga

Essas lagartas são identificadas por sua cabeça de coloração marrom clara. A mariposa dessa espécie coloca seus ovos no cabelo do milho. Inicialmente as larvas se alimentam dos cabelos do milho, o que pode causar falhas nas espigas. Com o passar do tempo, caminham em direção à ponta da espiga, onde se alimentam dos grãos em formação. Quando atacam a lavoura, podem causar a redução da fertilização e do peso dos grãos. Além disso, os orifícios deixados pelas larvas tornam a planta mais suscetível ao ataque de outras doenças.

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Lagarta-da-espiga

Capim braquiária

Planta daninha de ciclo duradouro que apresenta ramos largos e espiguetas no cacho. Causa competição agressiva por água na lavoura, o que prejudica a produção. Surge principalmente nos períodos quentes do ano e pode dominar totalmente o ambiente que invade.

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Capim braquiária

Cigarrinha-da-raiz

Os machos desse inseto são de coloração avermelhada e as fêmeas de cor marrom
avermelhada. As fêmeas depositam seus ovos nas bainhas secas próximas ao solo.
Inicialmente, se fixam nas raízes para sugar o suco da planta. Os adultos vivem na parte aérea da cana. Causam estrias amarelas nas folhas e fraqueza do caule, prejudicando o desenvolvimento da planta.

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Cigarrinha-da-raiz

Bicudo-do-algodoeiro

Besouro de coloração cinza ou castanha, que ataca no início da floração até a colheita. O alvo inicial desse inseto são os botões florais, que acabam ficando com as folhas abertas, depois ficam amarelados e podem até cair. O bicudo também pode atacar as flores e as maçãs da planta. A infestação causa queda na qualidade da pluma e redução da produção.

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Bicudo-do-algodoeiro

Corda de Viola (Ipomoea spp)

Planta daninha tipo trepadeira que apresenta flores roxas. Compete por recursos como água, luz e nutrientes com a cultura do algodão e causa prejuízo à colheita, pois seus ramos se entrelaçam com os do algodoeiro e podem bloquear o cilindro das maquinas de colheita.

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Corda de Viola (Ipomoea spp)

Ramulária

Doença causada por fungo que afeta as folhas do algodoeiro. É caracterizada pela
formação de manchas de coloração branca ou amarelada, com aparência poeirenta, localizadas na face superior das folhas. Ocorre principalmente no final do ciclo e em áreas frias e úmidas. Causa redução da fotossíntese, secamento foliar e desfolha da planta. Também pode afetar as maçãs do baixeiro, ocasionando podridão.

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Ramulária

Bicho Mineiro

As mariposas dessa espécie são brancas e colocam seus ovos na face superior da folha. Ao saírem dos ovos, as lagartas vão para o interior da folhagem para se alimentar. Esse inseto ataca principalmente as folhas do terço superior do cafeeiro. O bicho mineiro possui hábito noturno e o seu ataque ocorre durante todo o ano, mas é mais intenso entre os meses de outubro e junho. As regiões da planta afetadas pelo inseto secam e adquirem coloração marrom, que cedem ao serem apertadas. Essa infestação pode causar desfolhamento do pé de café, o que reduz sua capacidade de realização de fotossíntese e acarreta a diminuição da produção.

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Bicho Mineiro

Ferrugem do Cafeeiro

Doença causada por fungo. Nas plantas atacadas, surgem pequenas manchas de coloração amarela clara na face inferior das folhas. Com o passar do tempo, as manchas ficam maiores e passam a ter cor mais alaranjada e aspecto poeirento. Também surgem lesões amarelas na face superior das folhas. Essa doença causa queda precoce das folhas e ressecamento dos ramos, o que afeta a produção de frutos na safra seguinte. Em condições climáticas favoráveis ao seu desenvolvimento podem resultar em perdas de até 35% da produção. Já em períodos de longa estiagem, os prejuízos chegam a ultrapassar 50%.

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Ferrugem do Cafeeiro

Trapoeraba

Planta daninha rasteira caracterizada por suas flores de coloração azulada. Ela se propaga por sementes aéreas e terrestres e por pedaços dos ramos. Tem preferência por solos argilosos, férteis, úmidos e com sombra. Além de prejudicar a cultura do café, por competir por água e nutrientes, também dificulta a colheita mecânica e pode ser hospedeira de outras pragas e doenças.

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Trapoeraba

Ferrugem do colmo

Doença causada por fungo que se caracteriza pela formação de manchas em formato de pontos com coloração amarelada. Conforme se desenvolve, essas manchas ficam maiores, em formato alongado e salientes. Afeta principalmente os caules e nas partes onde as folhas se prendem ao caule. Pode causar o tombamento da planta e o encolhimento dos grãos, o que reduz a produtividade.

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Ferrugem do colmo

Capim Arroz

Planta daninha que ocorre tanto em solos secos como inundados. Pertencente à família das gramíneas, pode chegar a medir até 1,4 metro de altura. Interfere no crescimento da cultura e reduz o rendimento dos grãos de arroz.

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Capim Arroz

Antracnose

Doença causada por fungo e geralmente relacionada a sementes infectadas. Pode ser identificada por manchas escuras que se formam na face inferior das folhas sobre as nervuras. A doença pode afetar os caules. Nas vagens, causa lesões que parecem um contorno mais escuro e saliente, circundado por uma borda marrom-acinzentada. Os grãos afetados também apresentam manchas pretas ou lesões. Pode causar perda total da lavoura.

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Antracnose

Requeima

Doença causada por fungo que ataca as plantas, caule localizado abaixo do solo ou frutos. Pode ser identificada, inicialmente, por manchas pequenas de cor pardo-escura e que, com o passar do tempo, aumentam e ficam mais escuras, marrons ou pretas. As plantas afetadas exalam odor forte. É uma doença bastante agressiva e que pode destruir culturas inteiras em poucos dias. Para prevenir o aparecimento, evitar o excesso de água e o plantio em locais úmidos e frios.

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Capim Requeima

Pinta Preta

Doença causada por fungo que afeta folhas, ramos e principalmente os frutos. Os sintomas aparecem mais nas faces da planta que ficam expostas ao sol e podem demorar até um ano para se manifestar. É caracterizada por manchas escuras que se formam no fruto e podem aparecer do início da maturidade até o final da safra. Geralmente afeta pomares mais velhos e com plantas mal nutridas. O principal dano para a cultura atingida é a queda prematura dos frutos, que pode reduzir em até 85% a produção das plantas. Além disso, as manchas que causam nos frutos prejudicam a sua comercialização, diminuindo seu valor de mercado.

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Pinta Preta

As pragas só são consideradas um problema a partir do momento que sua infestação ou incidência pode trazer risco à produção da cultura, ou seja, produzir muito menos do que deveria ou produzir alimentos ou outras matérias-primas impróprias para o consumo. A praga compete com o ser humano por alimento. Atacar as plantações é a maneira que a praga encontra de sobreviver e se perpetuar.

Os defensivos agrícolas são aplicados quando as pragas estão a ponto de prejudicar de forma irreversível o plantio. Antes que isso aconteça, existe uma série de medidas de manejo para evitar a infestação de praga. O MIP (Manejo Integrado de Pragas) consiste na utilização de diversos métodos, ferramentas e medidas de manejo como, rotação de culturas, destruição de restos naturais da cultura contaminada por pragas, alteração da época de plantio ou colheita, poda ou desbaste, cultura armadilha, destruição de hospedeiros alternativos, uso de armadilhas físicas, destruição manual, fomento dos inimigos naturais, feromônios, entre outros. Depois da utilização dessas ferramentas que não foram capazes de controlar as pragas, deve se utilizar o defensivo agrícola.

Não controlar as pragas por meio de manejo ou de defensivos agrícolas tem um impacto direto no volume de alimento ou matéria-prima produzida. Ao produzir menos do que seria possível, os preços se elevam porque a demanda se mantém alta, porém, a oferta reduz à medida que as pragas inutilizam os alimentos para consumo. Os defensivos, entre outras tecnologias agrícolas, ajudam a manter esse equilíbrio econômico porque reduzem as perdas, tornando os alimentos e as matérias-primas mais acessíveis também.

  1. Praga ataca plantio
  2. Produz menos alimentos
  3. Pessoas procuram
  4. Preços sobem alimentos e não encontram
  5. Menos pessoas têm acesso aos alimentos

De modo geral, em um ambiente agrícola, a oferta de alimento para determinadas pragas fica bem maior. Isso combinado a um clima tropical como o brasileiro, sem invernos rigorosos, é um prato cheio para as pragas se reproduzirem. Diante disto, há a necessidade da intervenção humana para que a cultura seja protegida e tenha condições de produzir alimentos em quantidade suficiente para atender a população, uma vez que os predadores naturais são insuficientes para o controle dessas pragas.

Para esta proteção ou controle das pragas, entre os diferentes métodos disponíveis, a utilização de defensivos agrícolas é uma das tecnologias acessíveis aos produtores rurais. Sempre recomendada por um agrônomo, que é o profissional gabaritado para isso, a aplicação de defensivos é indicada para o controle das pragas com a preocupação que a população dos predadores naturais dessa praga tenha capacidade de se recuperar.

O Brasil é um dos países que produz mais alimentos com menos aplicação de defensivo agrícola no mundo. Para uma comparação entre os países e o emprego de pesticidas, estudo realizado recentemente pela Unesp – Campus de Botucatu compara o emprego do pesticida e a área plantada (hectare) e também a quantidade de produtos agrícolas produzida.

1. As pessoas não consomem defensivos. Eles são usados nas lavouras.
2. Mais de 80% dos pesticidas são usados nas culturas agrícolas que dão origem aos produtos industrializados, energia (álcool) e roupas (algodão).
3. Ainda assim, a maior parte (60%) são herbicidas que não são empregados nas plantas que servem de alimento.
4. Os produtos são diluídos em água para uso na agricultura. Não são usados na forma que saem das fábricas.
5. O produto geralmente é aplicado no caule, nas folhas e nas sementes. Dificilmente é aplicado na parte comestível da planta.
6. Há um intervalo de segurança entre a última aplicação de defensivo até chegar à mesa do consumidor. Nesse intervalo, o defensivo agrícola se degrada.

Existem diferentes tipos de sistemas de produção agrícola. É comum a todos eles o desafio do controle de pragas, doenças e plantas daninhas, pois elas estão presentes em todos os sistemas.

O controle de pragas pode ser feito de forma cultural, química ou biológica. Os métodos culturais baseiam-se na utilização dos conhecimentos ecológicos e biológicos das pragas, empregando práticas culturais como a rotação de culturas, aração do solo, destruição de restos de cultura, poda e plantio direto. O controle biológico é definido como o uso de organismos vivos para suprimir a população de uma praga específica, tornando-a menos abundante ou menos danosa. Já o controle químico pode ser feito com substâncias sintéticas ou não sintéticas. O controle de pragas permite que a planta preserve o seu potencial produtivo.

O que impacta na produção de um alimento saudável são as boas práticas adotadas pelo agricultor, independentemente de ser uma produção orgânica, convencional, hidropônica, agroflorestal, etc. Vale lembrar que, quando as boas práticas são seguidas, não se coloca em risco a vida do trabalhador do campo nem a do consumidor de alimento.

Dependendo das condições climáticas, algumas pragas podem se manifestar com maior ou menor intensidade. Um exemplo disso é o ataque de pragas mais severo nos cultivos brasileiros devido ao clima tropical.

Produtos usados aqui podem não ser necessários em países cujo inverno rigoroso, no clima temperado – muitas vezes com neve – reduz naturalmente as pragas e seus danos. A produção de defensivos agrícolas é globalizada. A demanda por um determinado produto varia de acordo com o tipo de praga, de cultura e das condições climáticas, influenciando a política de registro de produtos. Ou seja, se não tiver demanda por determinado defensivo, não tem registro do produto naquele país. É importante ressaltar que os produtos autorizados em outros países não são automaticamente autorizados no Brasil.

A eficácia dos produtos registrados no Brasil e sua segurança para os seres humanos e o meio ambiente são atestadas pelos órgãos nacionais responsáveis pelos setores da agricultura, da saúde e do meio ambiente (Ministério da Agricultura, Anvisa e Ibama), que avaliam a viabilidade de uso dos defensivos agrícolas à luz das peculiaridades e regulamentações do País. O Brasil é um importante competidor global de exportação de alimentos e tem exigentes critérios de regulamentação em comparação com outras
regiões mundiais que também tem critérios bastante rigorosos.

O LMR é um índice estabelecido de forma extremamente conservadora e calculado através de estudos de resíduos que servem para disponibilizar o alimento para ser comercializado com toda a segurança, conforme consta em todas as monografias de cada ingrediente ativo aprovado pela Anvisa. É a quantidade máxima da substância química que pode ser encontrada no alimento após ter sido tratado com a máxima dose recomendada na bula de cada produto.

O que isso significa? Após as descobertas das pesquisas capazes de identificar a dose segura que não apresenta efeito à saúde, se aplica um coeficiente de segurança 100 vezes maior de proteção da dose considerada segura encontrada nos estudos toxicológicos. Isso traz mais segurança no uso do produto, considerando as possíveis situações reais de exposição. Assim é calculado o LMR.

Tome por exemplo a construção de um prédio onde cada andar deve suportar 1 tonelada de peso. Ao calcular a estrutura do prédio, um engenheiro pode agregar um fator de segurança de 100 vezes, ou seja, vai usar concreto e aço suficientes para aguentar 100 toneladas. Logo, mesmo que alguém coloque uma carga de 10 toneladas em cada andar, ou seja, acima do peso de 1 tonelada estabelecido como permitido, o prédio não vai ruir.

As orientações de higienização dos alimentos como lavagem em água corrente, imersão prévia em produtos bactericidas como hipoclorito de sódio (água sanitária) e retirada da casca devem ser seguidas para diminuir a contaminação por agentes que causam doenças transmitidas pelos alimentos (DTAs).

Já para a eliminação de resíduos de defensivos, a Anvisa indica que alguns estudos trazem indícios de que a casca de alguns alimentos possui baixa permeabilidade aos agrotóxicos, reduzindo a concentração dos resíduos na polpa. Ou seja, com a eliminação da casca ou higienizando bem os alimentos com água corrente e com o auxílio de escovinha ou uma bucha, destinada para essa finalidade, os resíduos podem ser eliminados.

Os testes feitos pela Anvisa consideram os produtos com casca. No caso do arroz, por exemplo, o teste é feito na forma integral e não no arroz branco, que é polido, passando por um processo mecânico de descascamento antes de ser consumido.

Além de lavar e tirar a casca, o cozimento a altas temperaturas e o processamento em liquidificador ou mixer também degradam possíveis resquícios de resíduos. O tempo também é um aliado importante na segurança do alimento. Da aplicação até a colheita, há um intervalo de espera que permite o consumo seguro, o que varia de produto para produto. Da colheita até chegar à sua casa são acrescidos ainda mais dias, período no qual eventual resíduo continua degradando.

Um dos desafios do setor de defensivos agrícolas é garantir o emprego correto dos produtos no campo porque foram desenvolvidos para combater as pragas, doenças e plantas daninhas nas lavouras, seguindo as recomendações de rótulo e bula.

É preciso enfatizar que as recomendações de aplicação dos produtos são claras e devem ser utilizadas nas culturas agrícolas somente com a autorização de um engenheiro agrônomo, que prescreve a receita agronômica, uma exigência legal desde 1989 para a compra de todo e qualquer agrotóxico. Assim como um médico, que têm a responsabilidade de prescrever um medicamento, e um farmacêutico, que só pode vender se tiver a receita médica.

Esses cuidados são necessários por se tratarem de produtos perigosos que devem ser usados corretamente, seja no preparo ou na aplicação, não apresentando riscos ao trabalhador que aplica o defensivo e à saúde da população que come alimentos produzidos no sistema agrícola que usa defensivos.

Os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) existem para reduzir a exposição do trabalhador aos produtos químicos e assim contribuir para garantir a segurança durante o manuseio.

Para cada atividade envolvendo o uso de defensivos agrícolas existem EPIs específicos e que constam nas bulas dos produtos. Ao escolher e adquirir EPIs deve-se observar as características que determinam sua eficiência e desempenho. Para a atividade de aplicação e manuseio de defensivos agrícolas, podem ser usados os seguintes EPIs: vestimentas como calça, jaleco e touca/capuz; luvas, respiradores, viseira facial ou óculos de proteção, touca árabe, avental, botas. Cada um com variações de proteção a ser utilizado conforme orientações nas bulas dos produtos, uma vez que para cada atividade envolvendo o uso de defensivos agrícolas existem EPIs específicos.

Os EPIs não foram desenvolvidos para substituir os demais cuidados na aplicação e sim para complementá-los, evitando-se ao máximo a exposição aos defensivos agrícolas.

As principais ferramentas que ampliam a segurança são a receita agronômica, toda a estrutura regulatória desde o processo de registro e cadastro dos produtos nos estados, passando pelos pontos de venda até a utilização no campo, e também os treinamentos das indústrias. Além disso, como o Brasil atende as demandas de exportação que são extremamente exigentes também contribuem para reforçar a segurança no trabalho.

O setor de defensivos agrícolas investe na garantia de segurança dos seus produtos. Estudos são realizados seguindo protocolos internacionais dos quais o governo brasileiro é signatário. São estudos toxicológicos que avaliam os efeitos da exposição aguda, que ocorre em um período de até 24 horas (toxicidade oral, dérmica, inalatória, irritação ocular e dérmica, e sensibilização dérmica), subcrônica, que ocorre num período de um a seis meses (toxicidade dérmica e oral com doses repetidas), e crônica que ocorre por um longo período de tempo, incluindo parâmetros relacionados ao câncer, além de estudos para avaliar má formação (teratogenicidade) e mutações genéticas.

A busca contínua do setor de defensivos agrícolas é por produtos cada vez menos tóxicos – tanto ao ser humano quanto ao meio ambiente. Pesquisadores trabalham com adaptação dos produtos existentes e no desenvolvimento de novos produtos cada vez mais específicos para determinadas pragas e para atender mais culturas agrícolas.

A autorização de produção e comercialização de defensivos agrícolas passa também por uma avaliação por meio de estudos voltados para a sua interação na água, no solo e no ar, incluindo volatilidade, potencial de persistência e biodegradabilidade. São estudos de bioconcentração em peixes e organismos não-alvo como micro-organismo, algas e organismos do solo, abelhas, microcrustáceos agudo e crônico, peixes e aves, além de fitotoxicidade para plantas não-alvo.

Nesse sentido, o Ibama solicita às empresas registrantes de agrotóxicos a condução de uma série de estudos ou testes físico-químicos, toxicológicos e ecotoxicológicos a serem realizados com o produto que será registrado e utilizado no campo. Nesses estudos são considerados organismos internacionalmente padronizados, mesmo nos estudos conduzidos em laboratórios nacionais, para dispor de base para análise pelo Ibama e pelas demais agências internacionais incumbidas da avaliação de agrotóxicos.

O pleito de avaliação ambiental para um produto exige a apresentação de, no mínimo, 38 estudos. O sistema desenvolvido no Ibama tem por finalidade de proporcionar objetividade na seleção de substâncias, permitir a análise e, ainda, advertir ao usuário com relação ao uso seguro, por meio de frases de advertência em rótulo e bula, visando a evitar acidentes decorrentes da utilização inadequada do produto.