Carta aberta do Sindiveg ao governador da Bahia, Rui Costa 1024 457 Sindiveg

Carta aberta do Sindiveg ao governador da Bahia, Rui Costa

O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), entidade de maior representatividade do mercado brasileiro de defensivos agrícolas, reunindo 27 empresas, lamenta a declaração do governador da Bahia, Rui Costa, por seu entendimento incorreto do processo regulatório que envolve a liberação de insumos agrícolas no país.

Para defender sua opinião favorável à vacina Sputnik V, o governador baiano afirmou que se a solução russa fosse chamada de “defensivo agrícola Sputnik V” teria sido aprovada com mais rapidez pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Assim, Rui Costa deu a entender que o processo de liberação de defensivos agrícolas não é técnico nem rigoroso, mas é rápido.

Esse pronunciamento de uma figura pública como o governador da Bahia é motivo de consternação. Afinal, indica falta de conhecimento sobre a agricultura, uma atividade tão importante para o desenvolvimento do estado que governa, como parece insultar a população brasileira, tendo em vista que ataques desse tipo em nada ajudam o combate do novo coronavírus.

O Sindiveg acredita que a informação correta e sem viés político salva vidas, especialmente em uma sociedade em que fake news são amplamente divulgadas e contribuem para denegrir a imagem de setores sérios, que contribuem para a produção de alimentos seguros e de qualidade, além de gerar renda e emprego para mais de 18 milhões de pessoas.

Dessa forma, o Sindiveg vem a público repetir, como o faz há anos, que os defensivos agrícolas têm levado, em média, mais de 5 anos para ser aprovados.

Além da Anvisa, os defensivos agrícolas são rígida e cientificamente analisados pelo Ibama e pelo Ministério da Agricultura. Somente com a aprovação desses órgãos, de três diferentes Ministérios – os insumos recebem autorização para ser comercializados e, assim, combater pragas e doenças que afetam a produtividade da agricultura.

Importante esclarecer que o processo de liberação dos defensivos agrícolas no Brasil é muito vezes mais lento do que em outros países, seja na Europa, Ásia ou nos próprios Estados Unidos.

A desinformação e a má informação são extremamente prejudiciais a todos os envolvidos. No caso, à saúde e à alimentação dos brasileiros. Afinal, está em xeque a imagem da agricultura brasileira, um setor essencial, responsável pela produção de comida para 800 milhões de pessoas, em 160 países.

Os defensivos agrícolas combatem insetos, fungos, doenças e ervas daninhas que, se não bem manejados, comprometem o acesso da população aos alimentos, devido à redução da oferta e à explosão de preços pela eventual escassez. Sem esses insumos essenciais, o Brasil poderia perder 100 milhões de toneladas de grãos.

O setor de defensivos agrícolas engrossa o coro de todos os que clamam pelo aumento da vacinação contra o novo coronavírus, desde que respeitadas todas as etapas legais de aprovação dos imunizantes. Contudo, exige respeito.